para que as aves não esqueçam o voo... e as árvores não deixem de anunciar a primavera...

Seguidores

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

**

traz o teu manto de espuma e fogo.
rasgarei as águas do mar que se agiganta
com os remos que talhei no vagar de uma laranjeira em flor.
traz as mãos que aconchego em segredo
quando te desenho no veu prateado da noite
com elas estenderei as velas de renda branca
e soltarei as asas que teci para voar contigo.
então, como arco a gemer nas cordas de um violino
hei-de dizer teu nome molhado de mel e de emoção.


**

domingo, 15 de janeiro de 2012






_____ 3 anos de vida__________



estendi a folha branca em que escrevia


era fresco o mel das minhas mãos


de água os lábios que se abriam


e a lua em seu manto prateado soltava os cabelos e sorria.


as nuvens sem pudor tingiram tudo


e o sol estilhaçado fez-se em vidros.


da lava do vulcão esfumou-se a ilha


das árvores de fogo tombaram margaridas.




foto de - AlicePopkorn



***

sábado, 7 de maio de 2011



dispo-me do efémero.

da baba que segrega o licor que estala nos meus lábios a febre da tua língua.

não basta o voo anelar dos dedos. a pele que queima a pele.

a boca que desenro-la o sol...

para saciar a invisível sede da alma.


quebrado o finito ritual, onde a carne exausta se cansa

onde a lágrima se solta lenta. reflexa luz inteira e nua.

nesse lugar... onde volto à lapidar e branca serenidade de cristal

lá... silenciosamente, abro as portas ao infinito.




***

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

***



deixa que a palavra se solte. leve. livre.
caminho e alvorada.
não a rigorosa ou exacta.
a que escape da alma molhada de emoção.
a que arda na boca que a cala. mordente ou acariciante.
como fumo em espiral, ganhará o espaço.
crisálida aberta em asas ou em perfume de ouro.
gota caída em folha verde, agarrando o sol e o vento.
a quem a encontrar, ela se abrirá como sua
mas sempre desigual.
melodia composta em cada ouvido,
traje vestido em cada olhar.
golpe de harpa no coração da noite.


**

sábado, 15 de janeiro de 2011

***
assim começou esta aventura que faz 2 anos:


" na teia do sonho

vamos reconstruindo a vida..."


______________________________________________________



chegas...
enches o ar com o perfume das tuas mãos.
depois,
desdobras-te em véus e brilham pequenas conchas de sangue e sal
oiço o som das marés
e na voz secreta das areias, mil segredos que o vento abafou.
noites em que a fome dos corpos rasga o passo das horas.
então leio-te a pele
e faço dela um poema desgrenhado e louco.



__________________________________obrigada a todos que me fizeram chegar aqui

dando a sua companhia. o seu abraço. o carinho. coragem e a sua AMIZADE___________________
***

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

***



sentei-me à tua mesa,
era de ervas macias o pão que me estendias.
nos teus olhos, lia segredos do fundo do mar.

da longa travessia de sede, nasceu a água.
da fome, a febre da boca e dos lábios
e eu dançava a música que me fazias ouvir.

a pele brilhou aberta ao sol
e na brancura das salinas
todas as noites a lua adormecia.


então, dos cristais húmidos, nasceu o sabor dos dias...



***

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


reflexões


em casa de adultos, a criança solitária, vive um mundo de silêncios.
perdida, entre pernas apressadas, ela parece invisível e sem lugar.
apesar dos dias monocórdicos e dos natais pouco coloridos, repetia anualmente o mesmo ritual.
pé ante pé... deixava o pequeno sapato na chaminé.
uma manhã, os olhos abriram-se e brilharam de forma diferente. uma caixa imensa... quase do seu tamanho, estava no seu sapato.
incrédula, esfregou os olhos para certificar-se que estava acordada. os dedos tremiam tanto que não era capaz de desfazer o embrulho.
ajudada, viu com espanto aquela linda boneca! sorria... era de porcelana.
pegou-lhe a medo com seus dedos frágeis. depois, para que se não partisse, colocou-a num lugar seguro.
todos os dias ficava muda e quieta diante do seu tesouro...

a menina fez-se mulher. a pele menos lisa falava dos caminhos percorridos e dos sonhos que deixara secar.
um dia recordou a velha boneca de porcelana. entendeu então:
a ela. tal como a alguns afectos ilimitados e sublimes, tinha erguido um altar intocável de contemplação silenciosa.
***

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

**



sedenta de azul a árvore estendeu-se para o céu

no aconchego dos seus ramos os pássaros adormeceram.

todas as noites crescia uma melodia.

em toques suaves, penas e folhas, soltavam-se em cordas de música.

pequenas explosões de brilho verde cresciam embalançadas nos seus braços.

a água lentamente lambia-lhe as raízes.

sulcava a terra. burilava as pedras.

na força insubmissa dos seus dedos inundou caminhos. fez-se rio. corrente. foz.

mar de vigorosas vagas. rebentação...

lábios branqueados pelo sol que se perderam na areia ardente e sequiosa.
**

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

**


numa praia minguada de água
secara-lhe a cor. a textura. a forma.
estilhaço inútil. sobra sem sentido...

soltei a areia. o sal.
alisei as dobras. as mágoas.
com tempo de vagar e cuidado
em filigrana de ouro fino fiz um laço.
deixei-o preso nos teus sonhos...

quando acordaste
o mar saía de mansinho da tua cama de seda
na renda que o vestia
pequenas estrelas de luz verde cintilavam.
***

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

**


às vezes parto.silenciosamente.
tão silenciosamente que as sombras ficam para trás...
levo um olhar.uma palavra.um sorriso.
um gesto que ninguém mais viu.
levo a curva desenhada de um seio.
um beijo suspenso na boca.
um sonho que agasalhei da noite.

parto
para recuperar uma estrela.
volto
para acordar o sol e segredar-lhe que já é manhã.
***


Chove no país das fadas...

e até as árvores se esqueceram de anunciar a primavera!...


Acerca de mim

A minha foto
procura de um sentido... .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-. "em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos" --A. Saint-Exupéry--