para que as aves não esqueçam o voo... e as árvores não deixem de anunciar a primavera...

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sábado, 31 de janeiro de 2009


...a lua recolheu o rosto e o sorriso. envolta em rendas negras. caminhou solitária... desértica.

na noite sem estrelas...


todas as vozes se calaram. havia lágrimas. nevava nos corações em chamas...

ao longe um cântico. dança vestal...

a comoção. o peso brutal do silencio. as pedras a guardarem a memória do sonho...

um beijo a recortar-se na distância e na despedida...


sombra a esfumar-se no amanhecer sem Sol...




...2008

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


sento-me na madrugada...

dispo-me lentamente, do pó do dia...

nua e de mãos vazias, diante da janela, distraidamente aberta...

espero!...

o sopro leve que me arrepiará a pele...

a caricia diáfana e prateada de véus de chuva que, secretamente...

tomaste à Lua...








poalha de fogo... presa nos meus dedos...



renda fina. puro linho. seda rara.



petlado corpo de ouro... pedra de ara.



filigrana de orvalho. asa e chama...






pergaminho por escrever...



pele. que no tocar da boca. é gemido e parto...






...tempo de mel...leite e amoras bravas...



quinta-feira, 29 de janeiro de 2009




adiam-se sonhos, no parapeito da espera...


colam-se à crueza do passar do tempo,


entre o mutilismo da renuncia e o desafio do salto.


esquinas do medo, com frio de lança e sangue no olhar...


ermo e desabitado lugar, onde as vozes não chegam e o luar se nega...




...onde o olhar cega e a memória se apaga...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009


janelas da minha infância. olhar que des.ventra um mundo por descobrir...

a janela abriu os braços à brancura descalça da madrugada...

a claridade entrou. leve. esvoaçante. em véus transparentes... com restos de luar...

(sentou-se...)

anulou o frio abandono que escorria das paredes...

trazia nas mãos, restos de terra queimada. despojos... lutos.

falou de estátuas que tinham coração. de corações que gelaram e se transformaram em pó...

rios que secaram, transformados em cristais de sangue...


esculpiu sementes. pintou-as com pó de estrelas...

baixinho... a música cortava o silencio... e a claridade voou para além dos homens...

domingo, 25 de janeiro de 2009



a chuva arredonda a sede e talha em verde, a natureza adormecida.




hoje não chega aos meus ouvidos


o cântico húmido dos seus dedos...


nem aos meus olhos


o brilho deslizante dos seus fios de luz...


nem as pérolas que estremecem nas folhas das árvores


ou as lágrimas que caem no ventre sequioso da terra.




hoje agradeço a caricia molhada no meu rosto, a confundir o sal dos meus olhos


e o vidro quebrado das emoções...




hoje vergo-me, à impotência e inutilidade diante da dor...


pequenos grãos que somos, sem valor, a que nem os sentimentos emprestam algum poder...


hoje, a chuva é um gemido preso no meu respirar que me sufoca...

quando bordar flores no teu cabelo. os meus dedos serão asas de seda
e ouvirei o requebrar das marés no estremecer da tua pele...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


o tempo demorou as horas de abandono.


nos poros das pedras, secou o sangue. nas arestas, o suor pregueado das noites de espera...


estilhaçou as janelas no espelho da memória e na impaciência demorada branqueou o cabelo e o olhar...




descri e desabitei-me...




como acreditar que a tua pele é o voo dos meus dedos


e o teu sonho as asas do meu voar?!...

sigo o teu olhar de água... paragens marítimas.

dança idílica de algas e corais...


onde os barcos se perdem.na busca de tesouros por descobrir e onde as aves soltam risos de liberdade.


o cais é um mito onde se alongam sonhos e se quebram asas...


é preciso molhar os ossos e a carne... deixar que as roupas se rompam...


é preciso que os olhos se tornem estrelas e descubram o inatingível...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009



perco o olhar pela cidade...


perco-me na vertigem das ruas. na lama esquecida...


nas ruelas estreitas onde os segredos moram.


sempre o mesmo labirinto de dor. rostos de indiferença...


gente esquecida. ignorada. mortes que se arrastam...




mas há um redopio nas palavras. há musica...


e verões que se anunciam.


dança de pássaros num espaço sem limites...


sementes que se espreguiçam na humidade da terra...




caricias de linho puro que se anunciam. invisíveis cristais que se revelam...

domingo, 18 de janeiro de 2009


trepo à árvore mais alta. para falar com os pássaros.

mergulho no mar. em busca de corais e sereias encantadas...

crio incertezas. para dar sentido à vida...


pinto a lua na janela. para fingir que é noite. e que ainda é tempo de sonhar...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009



Chove no país das fadas...

e até as árvores se esqueceram de anunciar a primavera!...


Acerca de mim

A minha foto
procura de um sentido... .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-. "em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos" --A. Saint-Exupéry--