sentidodovoo

para que as aves não esqueçam o voo... e as árvores não deixem de anunciar a primavera...

Seguidores

Domingo, 15 de Janeiro de 2012






_____ 3 anos de vida__________



estendi a folha branca em que escrevia


era fresco o mel das minhas mãos


de água os lábios que se abriam


e a lua em seu manto prateado soltava os cabelos e sorria.


as nuvens sem pudor tingiram tudo


e o sol estilhaçado fez-se em vidros.


da lava do vulcão esfumou-se a ilha


das árvores de fogo tombaram margaridas.




foto de - AlicePopkorn



***

Sábado, 7 de Maio de 2011



dispo-me do efémero.

da baba que segrega o licor que estala nos meus lábios a febre da tua língua.

não basta o voo anelar dos dedos. a pele que queima a pele.

a boca que desenro-la o sol...

para saciar a invisível sede da alma.


quebrado o finito ritual, onde a carne exausta se cansa

onde a lágrima se solta lenta. reflexa luz inteira e nua.

nesse lugar... onde volto à lapidar e branca serenidade de cristal

lá... silenciosamente, abro as portas ao infinito.




***

Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

***



deixa que a palavra se solte. leve. livre.
caminho e alvorada.
não a rigorosa ou exacta.
a que escape da alma molhada de emoção.
a que arda na boca que a cala. mordente ou acariciante.
como fumo em espiral, ganhará o espaço.
crisálida aberta em asas ou em perfume de ouro.
gota caída em folha verde, agarrando o sol e o vento.
a quem a encontrar, ela se abrirá como sua
mas sempre desigual.
melodia composta em cada ouvido,
traje vestido em cada olhar.
golpe de harpa no coração da noite.


**

Sábado, 15 de Janeiro de 2011

***
assim começou esta aventura que faz 2 anos:


" na teia do sonho

vamos reconstruindo a vida..."


______________________________________________________



chegas...
enches o ar com o perfume das tuas mãos.
depois,
desdobras-te em véus e brilham pequenas conchas de sangue e sal
oiço o som das marés
e na voz secreta das areias, mil segredos que o vento abafou.
noites em que a fome dos corpos rasga o passo das horas.
então leio-te a pele
e faço dela um poema desgrenhado e louco.



__________________________________obrigada a todos que me fizeram chegar aqui

dando a sua companhia. o seu abraço. o carinho. coragem e a sua AMIZADE___________________
***

Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

***



sentei-me à tua mesa,
era de ervas macias o pão que me estendias.
nos teus olhos, lia segredos do fundo do mar.

da longa travessia de sede, nasceu a água.
da fome, a febre da boca e dos lábios
e eu dançava a música que me fazias ouvir.

a pele brilhou aberta ao sol
e na brancura das salinas
todas as noites a lua adormecia.


então, dos cristais húmidos, nasceu o sabor dos dias...



***

Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010


reflexões


em casa de adultos, a criança solitária, vive um mundo de silêncios.
perdida, entre pernas apressadas, ela parece invisível e sem lugar.
apesar dos dias monocórdicos e dos natais pouco coloridos, repetia anualmente o mesmo ritual.
pé ante pé... deixava o pequeno sapato na chaminé.
uma manhã, os olhos abriram-se e brilharam de forma diferente. uma caixa imensa... quase do seu tamanho, estava no seu sapato.
incrédula, esfregou os olhos para certificar-se que estava acordada. os dedos tremiam tanto que não era capaz de desfazer o embrulho.
ajudada, viu com espanto aquela linda boneca! sorria... era de porcelana.
pegou-lhe a medo com seus dedos frágeis. depois, para que se não partisse, colocou-a num lugar seguro.
todos os dias ficava muda e quieta diante do seu tesouro...

a menina fez-se mulher. a pele menos lisa falava dos caminhos percorridos e dos sonhos que deixara secar.
um dia recordou a velha boneca de porcelana. entendeu então:
a ela. tal como a alguns afectos ilimitados e sublimes, tinha erguido um altar intocável de contemplação silenciosa.
***

Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

**



sedenta de azul a árvore estendeu-se para o céu

no aconchego dos seus ramos os pássaros adormeceram.

todas as noites crescia uma melodia.

em toques suaves, penas e folhas, soltavam-se em cordas de música.

pequenas explosões de brilho verde cresciam embalançadas nos seus braços.

a água lentamente lambia-lhe as raízes.

sulcava a terra. burilava as pedras.

na força insubmissa dos seus dedos inundou caminhos. fez-se rio. corrente. foz.

mar de vigorosas vagas. rebentação...

lábios branqueados pelo sol que se perderam na areia ardente e sequiosa.
**

Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

**


numa praia minguada de água
secara-lhe a cor. a textura. a forma.
estilhaço inútil. sobra sem sentido...

soltei a areia. o sal.
alisei as dobras. as mágoas.
com tempo de vagar e cuidado
em filigrana de ouro fino fiz um laço.
deixei-o preso nos teus sonhos...

quando acordaste
o mar saía de mansinho da tua cama de seda
na renda que o vestia
pequenas estrelas de luz verde cintilavam.
***

Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

**


às vezes parto.silenciosamente.
tão silenciosamente que as sombras ficam para trás...
levo um olhar.uma palavra.um sorriso.
um gesto que ninguém mais viu.
levo a curva desenhada de um seio.
um beijo suspenso na boca.
um sonho que agasalhei da noite.

parto
para recuperar uma estrela.
volto
para acordar o sol e segredar-lhe que já é manhã.
***

Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

**


os pássaros voam ao entardecer

quando o sol é manto sobre as águas

os peixes bordam escamas no dançar das ondas

e o sal seca nos mastros dos navios.

nem o ouro das espigas ou o aconchego do feno são sede ou alimento.

só a brisa ao espreguiçar os braços sob as suas penas

sabe o mudo estremecer do desassossego.


os pássaros voam na cordilheira das nuvens

porque é seu o sonho recortado a prata onde a lua adormeceu.
**


Chove no país das fadas...

e até as árvores se esqueceram de anunciar a primavera!...


Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha fotografia
procura de um sentido... .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-. "em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos" --A. Saint-Exupéry--