sentidodovoo

para que as aves não esqueçam o voo... e as árvores não deixem de anunciar a primavera...

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sábado, 7 de Novembro de 2009

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sonâmbulos caminhantes. mãos despidas e rostos de luar.
cultores. do avesso da palavra e do ritmo dos silêncios. profetas brancos de um tempo de brandura.
visionários de tesouros na mudez da sombra ou em bancos de corais.
lençol flutuante onde deslizam nus a equilibrar o sonho. com gestos de seda e perfume no olhar.
dançarinos das estrelas. no canto dos sentidos. a preguear a noite.
malabaristas voadores sem rede nem pára -quedas.
pétalas irisadas que se soltam como dedos da alma.
prece sem resposta que se oferece inteira e sem reserva.



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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009


o choro da manhã escorre nas janelas sem ventre.

desliza no silêncio das arertas.

recorta-se em relevos de sombra.


o vento tamborila nas telhas em agulhas de gelo.

sem concha nem abrigo o corpo abandona-se à parede de pó e solidão.


na clausura das veias o sangue busca o ritmo de uma canção interior.

a asa procura romper a névoa. riscar o eco do abismo.

traçar no infinito a rosa que segurou no peito.

as pálpebras abrem-se como ranhuras sedentas de luz

fendas por onde segue o sol

e em prece fica a vê-lo dourar o mistério do tempo e dos templos.
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terça-feira, 20 de Outubro de 2009

*
o desespero
de um tempo de dor e de saudade.




quando o Amor nos obriga a escolher a morte!



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quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

9 meses





tempo de gestação...




colheita

de um tempo.




flores de afecto

______________como sorriso do Sol

________________uma gota de Luz

___________________ou a Esperança (religiosamente guardada) de um Tempo Novo
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sábado, 10 de Outubro de 2009


solto-me...

do vazio das noites .onde só restam gestos inúteis.
das palavras que se foram tornando metálicas e vazias.
de afectos que se esvaziaram de conteúdo.

varro trinta anos de estilhaços...
no susto de não me reencontrar inteira.
no medo de não mais me reconhecer.

salto.
no vazio. de mãos nuas.
para me provar que saberei recomeçar.
para descobrir se re.aprendi a voar e
se encontrei o verdadeiro "sentido do voo".




As Minhas Desculpas
a todos que não conseguir visitar. gosto de o fazer com prazer e entrega.
neste momento desfaço-me de restos e embalo algumas sobras... (30 anos é muito tempo...)
estarei por aqui todo o tempo que me for possível.
o meu abraço demorado e sentido a cada um e o meu imenso obrigado.

L.


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terça-feira, 6 de Outubro de 2009






esqueço o olhar...



na limitada frieza rectangular.

onde só as palavras silenciadas cabem. sem respirar. a empalidecer a expressão.

fujo para o mundo...

mas a pele arrefeceu o gosto de ser gesto.
o cheiro que diferencia os dias e as pessoas.
a noite desceu sobre as estrelas tremulantes em nuvens álgidas opacas e cinzentas.

colaram-se os lábios que se abriam a sorrisos comovidos

derreteram-se sonhos no desencanto. na linha recta do medo.

a música onde me soltava do chão escapou pela porosidade branca do dia

escalpo de um tempo sáurio de lâminas que castram o salto

e estilhaçam os corações.
_________________________________________
AGRADEÇO
a todos que passaram no meu último post.
a todos que tiveram a gentileza de o comentar
por inabilidade, ao tentar substituir uma das fotos (eu, animal entre animais), acabei apagando tudo.
lamento ter perdido as palavras que me deixaram e que sempre guardo carinhosamente no coração.
PEÇO DESCULPA PELO FACTO.
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terça-feira, 29 de Setembro de 2009


naufraga caída de um cometa em chamas
navego no teu olhar de marinheiro.
desventro mares e toco o assombro das sereias.
entranço algas. faço um manto que estendo na areia.
quando o sol desce ao fim da tarde.
solto-me na linha dos teus olhos
nos peixes que desenhas sobre as ondas em mosaicos de escamas prateadas.
em cachos anelados de limo verde onde os meus dedos se perdem
e constroem jardins marinhos e corais voadores.
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terça-feira, 22 de Setembro de 2009


presa no olhar da tarde.

prolongo-a.

gotícula suspensa a reflectir o espanto

ou cântico de velas a acariciar o vento.

fio amarelecido ou teia a envolver memórias.

cor amaciada.

outono a derreter-se em sopro e mel.

licor silvestre. repouso de horas de incerteza.

estremecer de pensamento.

olhar secreto. brando entendimento.

silencioso entrelaçar de braços

e voo de asas a nascer no teu sorriso.
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quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

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desço os dedos no mapa da cidade
veias que o sangue intumesce e salga
os sinos marcam a hora do recolher das aves
da carícia do vento nas folhas que se entregaram ao sorriso do chão.
hora crepuscular. linha entre o dia e a noite.
banco de sobras e verbos não conjugados.

os gatos começam a procurar a face da lua.
os homens despejados da vida procuram abrigo
onde esconder o abandono e o olhar desenganado.

no sótão, onde a luz se derrama nua e vertical
o dia demora-se um pouco mais.
desfaço a rotina que o destingiu, o engajamento da feira de utilidades.
lambo a tinta da china o barco que se solta das grades da memória.
acordo o rio para que volte a cantar os dias e embale a música das noites.
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terça-feira, 15 de Setembro de 2009


deixo nos dedos do vento as minhas lágrimas


_________________________________para que a música se solte entre o aroma das flores







abre-se...




a folha.

nua. branca. macia.


convite a desdobrar-se no lençol.





desafia a palavra...


espera-a.


para lhe beber o traço fino e leve.





promontório de braços inquietos


ou cais sereno a desenhar partidas.


verde movimento. ondulatório e vago


que inscreve em mastros signos e arabescos estranhos





pensamento a baloiçar segredos


trança de conchas e búzios


colares de refazer o tempo.



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Chove no país das fadas...

e até as árvores se esqueceram de anunciar a primavera!...


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procura de um sentido... .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-. "em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos" --A. Saint-Exupéry--
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