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desço os dedos no mapa da cidade
veias que o sangue intumesce e salga
os sinos marcam a hora do recolher das aves
da carícia do vento nas folhas que se entregaram ao sorriso do chão.
hora crepuscular. linha entre o dia e a noite.
banco de sobras e verbos não conjugados.
os gatos começam a procurar a face da lua.
os homens despejados da vida procuram abrigo
onde esconder o abandono e o olhar desenganado.
no sótão, onde a luz se derrama nua e vertical
o dia demora-se um pouco mais.
desfaço a rotina que o destingiu, o engajamento da feira de utilidades.
lambo a tinta da china o barco que se solta das grades da memória.
acordo o rio para que volte a cantar os dias e embale a música das noites.
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