
enterro os passos na areia. afasto a bruma... volumosa, densa...
espreito entre as nuvens...
...e escrevo a falar de ausências... enquanto se agiganta, em crescendo... a voz do mar. dentro de mim.
o vento fala-me de enigmas...
de sereias voadoras... de línguas que esqueceram a palavra e o beijo...
asas que perderam as penas e a cor e são hoje pássaros de escamas...
rosas de areia que perfumam as noites do deserto e escondem correntes de água cristalina...
conta-me de fadas com poderes mágicos... que dão voz a árvores ressequidas e abandonadas...
onde há corações que cantam em surdina uma melodia própria
que só alguns ouvidos entendem...