
à noite
os campos de trigo são deuses silenciosos. mãos longas e generosas.
esvoaçam enlaçados pelo vento no céu azul e prata.
vestem as nuvens de estrelas
e cantam baixinho segredos que o luar escreve a tinta branca.
no dorso dourado das espigas a lua costura o véu onde se esconde dos dias.
escamas verdes atravessam a pele dos homens
em olhos laminados de espera e fome.
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