
O Sitio Onde Nasci
tinha sempre um voo de asas nos telhados.
diante de cada olhar, voavam gaivotas e pombos
abriam-se mãos sorridentes, ao amarelo do milho, oferecido carinhosamente.
e pequenos pés corriam, no sonho de apanhar a liberdade...
todos os dias, um som de acordeão, embalava o sossego das tardes. deixava nos ouvidos o choro de histórias tristes, amores perdidos ou desencontrados.
martelavam a compasso tacões apressados!
os policias, pontuavam as esquinas e farejavam atentos, os gestos e as palavras,
prontos a calar o que se erguesse além do conveniente.
volta e meia, havia bêbedos que faziam discursos sentidos, aos que passavam.
mímica desequilibrada que fazia o alvoroço da criançada, sempre atenta aos gestos dos adultos, na ânsia de encontrar alguma coisa que aproximasse os dois mundos.
à noite, aqui e além, surgiam mulheres de cores garridas e passo vagaroso de espera.
no sitio onde eu nasci, havia cravos e sardinheiras nas janelas e as andorinhas chegavam, pontualmente, todas as primaveras
*
45 comentários:
Nascemos no mesmo sítio...mas eu nunca o consegui descrever com esta subtileza intensa e cristalina e apaixonada.
que os leitores também cheguem pontualmente às suas palavras, porque vale a pena ler :) beijinhos.
E como que teleportado para a minha infância já distante,lá longe
tão longe que só o pensamento a vislumbra, noutras paragens onde o sentir do bater das asas de outras aves era uma constante e onde o mar e a areia do deserto se beijavam e os cravos eram cactos floridos, numa magia de cenários diferentes onde a felicidade era uma constante e as andorinhas nos traziam noticias do teu mundo em tudo igual contudo tão diferente.
Deixo um abraço, e fico extasiado com a beleza que aqui conseguiste transmitir.
Não sei como te comentar. Porque nasci no mesmo sítio que tu.
.........
Porque levaste tanto tempo a abrir este espaço, pergunto-te
enquanto
te abraço...
Lá. onde lançamos nossas profundas raízes. como ventos. fechados no intimo das sementes. ainda voam pombos nos beirais. nidificam. amam. ainda correm. sôfregos. atrás do doirado...
nós ficaremos. aqui ao longe.cavalgando os anos. sabendo que a verdade. somos nós.
Um abraço!
Não nasci no mesmo sítio que tu, certamente, mas a rua é a mesma... Ou isso, ou fizeste-me voar até lá... :)))
LINDO O SÍTIO ONDE TU NASCESTE...TÃO CHEIO DE AZÁFAMA...DE BULÍCIO...ASSIM
DESCRITO PELA TUA MÃO...TORNA-SE MÁGICO E POÉTICO TAL COMO TU...
E IMAGINO-TE POR DETRÁS DESSA JANELA...EM OUTROS TEMPOS LONGÍNQUOS...UMA FLOR SENTADA A SONHAR COM A VIDA LÁ FORA...
ABRAÇO SENTIDO
Lindo... lindo e sem palavras pelo que li e essa foto adorei. Bjs em ti amiga e uma boa noite para ti,
Nuno
tem coisas bonitas e feias o sítio em que nós nascemos. mas é o sítio onde nós nascemos! nunca o esqueceremos. tenho saudades do meu mas, aflige-me pensar em lá voltar, pensar na minha família que já não existe...
não, não quero lá voltar.
Acabamos de ler e já estamos tomados pela alma desse sítio, pelas cores, pelos sons, pela vida palpitante... Perfeito.
Carinhos.
Que bom ter chegado ao seu blog. Foi navegando, mas não foi certamente ao acaso que aportei aqui porque não acredito no acaso. As imagens e o que escreve é maravilhoso bem como lindo o texto desta postagem. Vou voltar para conhecer melhor.
Um abraço,
Maria Emília
Nice pigeons on the window.
que lindo este espaço que nos faz voar no sonho de encontrar a liberdade
beijos
Vamos crescendo e essa magia de meninos vai-se esfumando
Vida na sua essência mais vívida...
Justine
Obrigada pela visita e pelas palavras.
Gostei de saber dessa proximidade... gosto, quando sinto que as pessoas sabem de que estou a falar.
Volta sempre
Um beijo
alice
o que desejo verdadeiramente, é ser lida pelas pessoas certas...
sentir que olho nos olhos, sorrio com carinho e gosto de quem me lê.
sei que vamos estar sempre perto...
beijinhos
Raul
Sempre que te leio fico sem entender porque razão não nos encontramos mais vezes...
Gosto muito dos teus textos, gosto muito da forma como comentas, gosto da pessoa que és e da forma como sentes.
Traz mais vezes, por aqui, o voo das tuas asas para que me façam companhia. E fala-me das aves que nos visitavam em continentes diferentes.
Abraço forte
Maria
Às vezes, fico a pensar, que o texto, é o pretexto para nos encontrarmos...
E fico a perguntar-me quantas vezes passamos na mesma rua, no mesmo exacto momento.Ou, quantas vezes, tomamos café nos mesmos lugares de Lisboa.
Um dia, chegaremos a essas conclusões...
(Falar do tempo que estive sem escrever, seria contar a historia de uma vida...O abrir do blog, foi um impulso. Impensado, por isso aconteceu.
Tudo o que é pensado perde a magia, a graça e a verdade...
Como sabes, para mim, as coisas são feitas em caminhos de paixão)
Abraço de Sempre
Nós, adquirimos a serenidade contemplativa, de quem aprendeu a ver as nuvens e os voos.
Lá, onde as nossas raízes falam a verdade dos tempos, sentimos o estemecer da terra e ouvimos a linguagem das sementes.
Um abraço
clic
Será que o sítio não é o mesmo?!
O nosso olhar, é muito semelhante... e a forma de analisar as coisas também me parece.
Mas, se voares até lá, repara, os pombos continuam por lá. Quando eu cresci, dar milho aos pombos era um acto livre. Hoje, dar comer aos pombos, é punido com multa.
Como entender as pessoas?!
Um beijo
Pedrasnuas
Tudo se passava, no sítio onde eu nasci.
Não porque era o meu mundo, mas porque era o "coração" da cidade.
Estudava o mundo através da janela. Os sons, os movimentos...Mas sentada, nunca. Vivia-o demais...
Abraço carinhoso
Nuno
Mais uma vez, obrigada por teres chamado por mim.
Há, pequenos gestos, que revelam a nossa forma de ser Amigo.
Beijos
so lonely
o sítio onde nascemos, é onde vivemos as nossas primeiras emoções fortes.
e, é lá, também, que sofremos, tantas vezes, as maiores perdas.
no mesmo sítio onde nasci, perdi os meus pais.perdi ainda outros bons sentimentos
obrigada pela visita.volta sempre.
um beijo
Rose
Bom, saber de ti.
Foram mesmo boas as tuas férias?
Lisboa, era mesmo assim e poderia ter dito muito mais. Tive receio que as pessoas não lessem, tudo isto é novo para mim.
Abraço carinhoso
Maria Emília
Obrigada pela visita e pelas palavras.
Obrigada, por me ter dado a possibilidade de conhecer o seu blog. Gostei muito, mas nunca abriu janela para eu comentar. Vou voltar com mais tempo, para tentar entender.
Navegando, descobrem-se novos mundos...
Um abraço
Bradpetehoops
Obrigada, pela visita e pelas palavras.
Carla
que bom teres gostado e teres sentido esse sonho ou promessa de liberdade.
voar é preciso...
volta sempre
beijos
Multiolhares
Eu leio e observo o teu blog e sei que mantens a magia acesa dentro de ti.
Um beijo
Paulo
Ainda bem que gostaste
Um beijo
O sitio onde nasceste...nao o conheci senao de longe...imaginava-o...sabia-o de um saber intuitivo.
Agora senti-lhe o sabor, percebi-lhe os cheiros, ouvi-lhe a musica.
As tuas palavras legendaram as imagens que eu adivinhava...
Poesia eh transformar a banalidade em emocao.
Ainda bem que comecaste e continuas a dizer o que nos faz bem ah alma, nos enche o coracao, nos poe um brilho nos olhos.
Um beijo grande
Ana
Perfeição numa emoção... O sítio que nasceu, brota dentro de ti.
Lindo!
Beijo grande
Rebeca
-
do lugar da carne. da memória. do ser.
do continuar.
_______________beijo L.
Olá, belo post...Espectacular....
Um abraço
Ana
Sabes que também me teria sentido bem no síio onde tu nasceste. Teria gostado das cores, do espaço,da musica e do cheiro da natureza. Da proximidade com os animais que adoro e me fascinam.
Podia ter dito mais mas, será que devia?
No fundo, há sempre alguém que nos coloca no sítio certo... Eu, embora algumas vezes, tenha sentido vontade de desistir, estou muito grata a quem me fez esquecer o medo e a vergonha.
Beijo grande
Rebeca e Jota Cê
Obrigada pela vossa presença amiga e carinhosa
Beijos
y
lugar da memória...
onde se recortam vultos de mulheres insubmissas.
desenharam caminhos.
abriram estradas.
numa mão levavam a liberdade
na outra escondiam o coração.
beijo.Sempre
Chana
Obrigada pela visita e pelas palavras
Abraço
SimplesmenteTu,
nascemos então nessa cidade construída de muitas aldeias, onde pombos gaivotas e andorinhas sempre cruzaram vôos, na liberdade das infinitas possibilidades de vôo.
Nesta cidade de colinas a escorregar para o Tejo, caiada numa claridade de espanto.
Sentada o mês passado, numa esplanada no miradouro de S.Pedro de Alcantara, fiquei chocada quando vi que o empregado de mesa, pontapeava os pombos, num frenesim nervoso com receio que lhe sujassem as mesas...
Não fiquei calada.
Pelo meu tom, tenho esperança que me julgasse elemento da P.A.
Quando foi que eles se tornaram inimigos da cidade?
Não lhes dei milho, depois.
Partilhei a tosta mista.
Um beijo
Posso imaginar que nasci num sítio assim?
Um beijo e parabéns pelo poema.
Fotografia lindissima...para ilustrar o nosso lugar,...a nossa identidade,...o lugar que nos constrói e nos faz ser um pouco, aquilo que depois,...iremos a ser...
Gostei...
Uma boa semana
Arabica
Obrigada pelas imagens poeticas, fruto do mesmo amor a Lisboa. Obrigada por me completares e me mostrares a tua forma de sentir. Por me lembrares esse escorregar das colinas a adormecerem nas águas do Tejo.Os voos e a claridade!
"Quando foi que eles se tornaram inimigos da cidade?"
A tua pergunta traduz o meu espanto e a minha revolta.
Também eu, nunca consigo calar as palavras, quando se trata dos que não podem tomar a propria defesa.
E quem é o Homem para recear que lhe sujem alguma coisa?! Somos nós que vivemos a corromper e a corroer a Natureza. Somos nós e mais ninguém o seu inimigo!
Gostei muito da partilha...
Beijo e volta sempre
(com o amor e com a revolta)
Graça
...percorrer as mesmas ruas, ouvir os mesmos sons, deixar que os olhos se percam no movimento das águas e ser o sítio ou a cidade.
Obrigada pelas palavras.
Um beijo
Fernanda
Gosto quando vou ao teu blog e vejo as tuas fotografias.
Gosto do teu olhar porque é parecido com o meu.Nele sinto o amor ao que te rodeia e a tua sensibilidade.
Obrigada por teres vindo e pelas tuas palavras.
Boa semana para ti, também.
Um beijo
no sítio onde nasceste....
há um canto terno
que se eleva
belíssimo
.
um beijo
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