para que as aves não esqueçam o voo... e as árvores não deixem de anunciar a primavera...

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

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_______________________sementes que o tempo não apaga nem mata.

o silêncio cristaliza a palavra.
desce as pálpebras à noite e desafia o infinito.
voo incandescente. dança rítmica, humosa e livre.
labareda de fogo ou fio de água, a lamber a terra e o barro.
barómetro invisível dos sentidos.
artérias abertas
em ruas de passos afoitos, entre sombras e enigmas.
indecifrável tempo. em que olhares amarrotados e perdidos,
entre vestes coçadas e minguadas, esbarram ainda, nas espigas do sonho.
é então, que a melodia se solta. entre cordas e dedos. flutuam num compasso perfeito.
acordes que despertam o sono da terra e os lábios dos pássaros alucinados de verde e mar.transfiguram a luz do amanhecer num cais de cambraia e prata.


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sábado, 9 de janeiro de 2010


___________________________________________OBRIGADA. foto de Luisa Vale
(http://luisavale-fotografia.blogspot.com)

no peitoril onde a chuva se quedara adormecida.


o dia amanheceu.


mansa e silenciosamente.


dourou e coloriu as gotas lá esquecidas.


no colo de vento e rocha fria. minúsculas sementes estenderam braços inseguros.


rasgaram a terra de sangue e magoa ressequida.


em recorte de brilho aveludado pequenas folhas pestanejaram ainda ensonadas.


olharam o céu. calmo. azul e infinito.


e nos seus lábios desenhou-se um sorriso agradecido.


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sábado, 26 de dezembro de 2009

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o vento sacudia, os ramos partidos selvaticamente,

soltava os restos do pranto desesperado da noite.

arrastava destroços de horas de pesadelo e insónia.

mas, tal como às vezes acontece na vida,

entre esqueletos e sobras, o sol anuncia um novo dia

pendurando, na desolação das árvores, pequenas estrelas de luz dourada.
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009


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passou por mim. vestia as sobras de uma capa sem cor. magras as mãos vazias.

olhar ausente. sem brilho.

percorrera todos os lugares. ninguém o reconhecera.todos seguiram empoleirados em passos apressados e indiferentes.

se o olhassem. ririam do seu ar de mendigo ou fugiriam assustados com medo de perderem os pacotes brilhantes que transportavam ou a carteira mais ao menos magra.


o natal estava ali. fechado em caixas. na troca conveniente ou obrigatória de presentes.

no carro ou na jóia sonhada. no peru da ceia.

o natal estava nos braços que desaprenderam de se fechar sobre os outros. no coração convertido em moeda de troca. nos olhos de sorriso impessoal e gélido.

alguns ainda o guardavam na memória. sabiam que devia estender-se por todos os dias do ano numa entrega simples e autêntica de amor.

e até alguns desses também já tinham deixado cair os braços. pesados de desanimo e desencanto.
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

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fala deserto. quem se alimentou de areia.

quem matou a sede bebendo o suco de cardos espinhosos.

abriu calos e sangue.


conhece a verdade da pele. quem deixou que a carne se incendiasse

na hora a que o sol varre todas as sombras da terra.


diz palavra. quem soletrou o alfabeto do silêncio.



mas só é seda.

quem secou nessa sede

se consumiu em chama. quem calou dentro de si a própria voz.


e. apesar de tudo.

guardou nas mãos o esvoaçar de uma asa

e nos lábios a frescura de uma pétala presa numa gota de orvalho.






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domingo, 22 de novembro de 2009

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pétala a pétala pintei uma flor.

primeiro. a traço fino curvava os dedos e o silêncio.

-leve brisa trovando na linha recta onde o sol se deita sobre a terra.

folha descuidada! dourando o chão. restos de pó e magoa.

com ele contornei o húmido apelo dos teus lábios.

em cor e desejo.desceu embriagado.

no suave volume dos teus seios como incêndio.

tornou-se pressa. urgência. e fome relembrada.

seguiu ousado a passo solto.

e na flor que distraidamente desenhara.

bebi néctar e mosto em taça requintada.


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sábado, 7 de novembro de 2009

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sonâmbulos caminhantes. mãos despidas e rostos de luar.
cultores. do avesso da palavra e do ritmo dos silêncios. profetas brancos de um tempo de brandura.
visionários de tesouros na mudez da sombra ou em bancos de corais.
lençol flutuante onde deslizam nus a equilibrar o sonho. com gestos de seda e perfume no olhar.
dançarinos das estrelas. no canto dos sentidos. a preguear a noite.
malabaristas voadores sem rede nem pára -quedas.
pétalas irisadas que se soltam como dedos da alma.
prece sem resposta que se oferece inteira e sem reserva.



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quarta-feira, 28 de outubro de 2009


o choro da manhã escorre nas janelas sem ventre.

desliza no silêncio das arertas.

recorta-se em relevos de sombra.


o vento tamborila nas telhas em agulhas de gelo.

sem concha nem abrigo o corpo abandona-se à parede de pó e solidão.


na clausura das veias o sangue busca o ritmo de uma canção interior.

a asa procura romper a névoa. riscar o eco do abismo.

traçar no infinito a rosa que segurou no peito.

as pálpebras abrem-se como ranhuras sedentas de luz

fendas por onde segue o sol

e em prece fica a vê-lo dourar o mistério do tempo e dos templos.
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terça-feira, 20 de outubro de 2009

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o desespero
de um tempo de dor e de saudade.




quando o Amor nos obriga a escolher a morte!



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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

9 meses





tempo de gestação...




colheita

de um tempo.




flores de afecto

______________como sorriso do Sol

________________uma gota de Luz

___________________ou a Esperança (religiosamente guardada) de um Tempo Novo
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Chove no país das fadas...

e até as árvores se esqueceram de anunciar a primavera!...


Acerca de mim

A minha foto
procura de um sentido... .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-. "em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos" --A. Saint-Exupéry--